sábado, 29 de março de 2008

3º Capítulo


CAPÍTULO 3


CENA 1


O grupo subiu o viaduto e desceu no outro lado da cidade. Cortaram a direita e pegaram uma rua larga, onde podiam pedalar lado a lado. Raíssa e Henrique estavam no maior clima, um olhando pro outro, o tempo todo.
Amanda diminuiu o ritmo e ficou pra trás.


- Ei, o que houve? – perguntou Carlos, freando.
A menina desmontou e apertou o pneu da bicicleta:
- Tá meio murcho. Vou ver se tem um lugar pra encher... não quer ir comigo?
Carlos coçou o queixo, Henrique apoiou:
- Vai com ela, seja cavalheiro. Nós esperamos aqui.
- Nós? – protestou Raíssa, virando a sua bicicleta. – Vocês dois esperam aqui, eu irei com a minha amiga.
Amanda deu aquela olhada:
- O Carlos – e frisou bem o nome – vem comigo. Já pensou duas moças sozinhas numa borracharia?
Henrique concordou logo:
- Ela tem razão. Carlos a protegerá – disse em tom zombeteiro.
Raíssa ainda olhou para a amiga mais uma vez, e entendeu:
- Ah, sim claro... ok então.
E afastou-se com Henrique.


CENA 2


Carlos e Amanda pedalavam em silêncio. Não estavam acostumados um com o outro, por isso, cada um procurava uma forma de começar o diálogo. Depois de se analisarem por um tempo, a garota quebrou o gelo:
- Viu só o que eu te disse?
- Sobre o quê?
- Raíssa e Henrique. Eu torço para que os dois dêem certo, só pra quebrar a cara do José!
O outro riu:
- Você não vai mesmo com a cara do seu irmão, né?
- Não é isso – esquivou-se ela – é que as atitudes dele me revoltam, sabe? Não é legal brincar com os sentimentos dos outros.
- O José não gosta da Raíssa?
- Gosta nada! Só quer tirar uma “casquinha”, que nem ele fez com a Pat.
Carlos se doeu. Amanda percebeu que falara demais. Mudou de assunto:
- Falando nela, e aí? Rolou alguma coisa depois da festa?
- Não, também, depois daquele micão – referiu-se ao desastre com os salgadinhos.
A garota riu de se acabar. Isso serviu para deixá-los mais a vontade.
- Me fale de você, Amanda.
Ela foi pega de surpresa:
- O que você quer saber sobre mim?
- Sei lá... o que você quiser contar.
A menina se aprumou e começou, como se desse um depoimento:
- Amanda, doze anos, alta, magra, loira dos olhos azuis...
- Isso é mentira!
Ela fingiu-se envergonhada e cobriu o rosto com as mãos. Prosseguiu:
- Moro com meus pais e com o safado do meu irmão. Estudo no seu colégio, pra dizer a verdade, na sua sala...
- Isso eu sei!
- Vai ficar me interrompendo?
- Não, continue.
- Bem, minha melhor amiga é a Raíssa, mas também gosto muito da Patrícia e de você... – calou-se por um instante.
Carlos arregalou os olhos. Amanda respirou fundo. Concluiu:
- Também sou muito boa em inglês.
Os olhos de Carlos quase saltaram das órbitas:
- O que foi que disse?
Ela achou graça:
- Sou metida, né?
- Você escreve em inglês? – ele lembrou da carta.
- Sim.
Carlos freou, tentando conter a excitação. Calma, disse pra si mesmo. Isso não quer dizer nada.
- Está tudo bem? – quis saber a menina.
Ele atalhou:
- Parece que o seu pneu ta ok.
Amanda riu, encabulada:
- É, né? Que coisa, parecia vazio.
Os dois se aproximaram. Ficaram a menos de um palmo, olhares fixos, quase hipnóticos. Seus lábios se atraíram como um ímã, uma atração irresistível.
Mas Carlos resistiu.
- Desculpe. É uma pena você gostar da Patrícia.


CENA 3


E agora, quem mandou a carta?
O fato de Patrícia querer conhecê-lo e dançar com ele não faz dela uma admiradora em potencial, pensava o menino. Já Amanda, por suas atitudes, dava toda a pinta de estar interessada nele.
Será?
Sorrindo meio besta, Carlos abriu o portão e deu um salto: Deise lia um papel na varanda, um bem familiar:
- Essa não!
A irmã, ao vê-lo, abriu aquele sorriso de deboche:
- Grande Cacá! Arrasando corações!
- Me dá isso, não leia!
- Já li. Eu te amo oito dias por semana – traduziu ela. – Que bonito.
O irmão espiou pelo basculante, apavorado. Ufa! Sua mãe não estava por perto.
- Deise, na moral... não fala disso pra ninguém!
- Claro que não vou falar! Mas me conta: quem mandou?
- Sei lá, está anônimo.
- Mas você não desconfia de ninguém?
- Não – mentiu.
Deise entregou-lhe o papel:
- Com certeza é uma garota bem caprichosa... e está apaixonada por você – frisou bem o “apaixonada”.
- Imagina só o trabalhão que deu cortar todas essas letrinhas aí! Não seria mais fácil chegar pra mim e me dizer?
Deise retrucou:
- Talvez a menina assista muita televisão – e deixou-o.


CENA 4


Naquela noite, Carlos foi pra cama mais cedo, mas não conseguiu dormir. A presença de Amanda era muito forte. De hora em hora repassava tudo o que ela falou, procurando pistas que a “incriminassem”. E apesar de não encontrar provas concretas, ele se sentia inclinado a culpá-la. Ele queria acreditar que Amanda era a sua “admiradora secreta”.
Cansado de rolar de um lado para o outro, o menino resolveu tomar um ar fresco no quintal. Desceu as escadas preguiçosamente, pôs a mão na maçaneta e abriu a porta.
Seu coração disparou:
Meio escondida pela penumbra, uma menina estava de pé junto ao muro, recostada sobre a caixa do correio.
- Quem é você?


[música de suspense]

sábado, 22 de março de 2008

2º capítulo


ADMIRADORA SECRETA- CAPÍTULO 2


CENA 1


No dia seguinte, o assunto da hora era a festa. O fato mais comentado foi a experiência de Carlos como garçom. Logo depois de dançar com Patrícia, o garoto, pra agradar, foi ajudá-la na cozinha. Como não tinha ninguém pra servir, escalaram ele na função.
Pra quê... pra começar, Carlos não sabia equilibrar os copos na bandeja. Parecia que estava andando numa corda bamba. Patrícia, pra evitar o desperdício de bebida, pediu a ele que servisse salgadinhos.
Salgadinhos são mais leves, mais fáceis de carregar. Mas quando Carlos passou pela “pista de dança”, meu Deus! Uma moça, não se dando conta de seus movimentos, virou-se bruscamente e... pimba! Os petiscos foram pro chão. Uma outra estabanada, que se requebrava atrás, escorregou numa coxinha, caiu em cima da primeira e foi aquele efeito dominó: todo mundo caindo em cima de todo mundo, um grita-grita, um pandemônio. Raíssa nem pôde ir a escola, de tão cansada que ficou, pois teve de limpar tudo antes de dormir.


CENA 2


- Que mico hen? – comentou Henrique.
- A culpa não foi minha – defendeu-se Carlos, vermelho.
- Eu sei que não... mas foi engraçado.
E deu uma risadinha. Carlos olhou para ele, sério.
- Desculpa.
Os dois prosseguiram. Estavam andando pela rua. A aula já terminara e eles andavam à toa. Passaram pela casa da Raíssa.
- Eu não tiro essa menina da cabeça – desabafou Henrique.
- Ué, e isso é ruim?
- Sei lá. Não estou acostumado a gostar de ninguém, meu negócio é só pegar.
- Que horror!
- Pois é. E agora, o que eu faço?
Carlos lembrou-se da conversa com Amanda.
- Arrisca dizer isso pra ela.
- Tá louco? E se eu tomar um fora?
- Faz parte.
Henrique relutou um pouco. A dupla parou em frente ao portão e tomou um susto: a dona da casa apareceu, sorridente:
- Olá, rapazes!
Carlos acenou, Henrique olhou pro chão.
- O que fazem aqui?
- O Henrique tem uma coisa pra... – e foi interrompido.
Raíssa olhou pra ele:
- O Henrique tem... ???
- Quieto, Carlos. Ela não pode saber!
- O que eu não posso saber? – inquiriu a menina, curiosa.
Carlos ficou sem palavras. Henrique o puxou pelo braço e os dois seguiram em frente, mas Raíssa foi atrás:
- Agora vocês vão me falar! O que está acontecendo?
- É a Jenifer! – disse Henrique, sem pensar.
Raíssa o encarou:
- O que tem ela?
Carlos se intrometeu:
- Ele só fala nela agora, o tempo todo – e recebeu um olhar de desaprovação do amigo.
Raíssa suspirou, aliviada:
- Pensei que fosse algo sério. Vou dizer uma coisa pra você: a Jenifer é amarradona na sua. Dá uma chance pra ela.
Henrique ficou desconcertado, mas não perdeu a pose:
- Acho que vou dar mesmo. Ela é muito manera e tem o maior corpão!
- Isso aí, vai lá – incentivou a garota, impassível. – Quanto a mim, por favor, me desejem boa sorte.
E entrou.
- Por quê? – perguntaram os rapazes ao mesmo tempo. Raíssa saiu montada em sua bicicleta e não respondeu. Ria por dentro.
- Bobinho, tentando me botar ciúme – disse pra si mesma.


CENA 3


Raíssa desceu a rua. Carlos e Henrique se entreolharam, com um ponto de interrogação bem grande entre eles.
- Seu idiota, olha só o que você fez! – Henrique estava furioso.
- Ninguém mandou você botar a Jenifer na história.
- Podia ter ficado quieto!
Carlos olhou para o amigo, magoado. Henrique era assim: quando as coisas não saíam do jeito que queria, ia logo culpando as pessoas. Mas relevou: sabia que ele estava apenas decepcionado.
- Olha, eu não vou ligar porque sei que não está falando por mal.
Henrique baixou a cabeça.
- Desculpa.
Carlos fez um gesto com a mão e seguiu em direção à sua casa. Henrique correu e o alcançou, com os olhos arregalados:
- Espere! Não podemos deixá-la escapar assim!
- Ela é problema seu.
- Vamos atrás dela!
De onde estavam ainda viam Raíssa lá longe, dobrando a esquina, passando por uma praça.
- Não vou me prestar a esse papel.
- Por favor – implorou Henrique.
Os dois já estavam no portão de Carlos.
- Tá, tá... entra, pega a bicicleta da Deise.
O amigo lhe deu um beijo na testa e tomou um empurrão, seguido de uma gargalhada sonora. Por isso os dois eram tão unidos.


CENA 4


Raíssa guiou para um portão alto e verde, ao lado de um depósito de gás. Parou e chamou.
De longe, os dois amigos observaram uma senhora cumprimentá-la gentilmente e convidá-la a entrar.
- Quem mora aí, Henrique?
O garoto fez uma careta:
- José.
- José, irmão da Amanda? – e lembrou-se mais uma vez da conversa da noite anterior.
- É... infelizmente.
Claro que Henrique sabia do interesse do rival pela “sua” menina.
- Calma, cara... talvez a Raíssa tenha vindo só se encontrar com a Amanda.
- Isso é o que vamos descobrir!
E rumou para o portão verde e alto.
- Volta aqui, moleque!
Henrique não deu ouvidos: abaixou-se diante do portão e se pôs a espiar por um buraquinho que tinha ali.
- Não dá pra ver nada – resmungou. Olhou pra trás, esperando que Carlos dissesse alguma coisa: viu a cara vermelha do amigo.
- Ué, o que houve?
Sentiu dois dedos delicados em seu ombro.
- Perdeu alguma coisa? – uma voz feminina, cheia de sarcasmo.
Henrique se ergueu imediatamente.
- Oi, oi... Amanda.
Raíssa apareceu logo atrás, segurando o riso:
- Veio atrás de mim, foi?
- Claro que não! Só vim porque o Carlos pediu – e apontou.
- O quê??? – exclamou o outro.
- Ele sugeriu que nós quatro fôssemos dar uma voltinha... não foi??? – frisou bem o “não foi”.
Carlos se aproximou, sem graça;
- É, claro... que tal?
Amanda sorriu:
- Eu topo. Vou encher o pneu da minha bike, já volto.


[música de suspense]


sábado, 15 de março de 2008

1º capítulo


CAPÍTULO 1
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CENA 1


Carlos morava com a mãe e a irmã numa casa pequena afastada do centro. A mãe era professora e Deise, a irmã, seguia seus passos, cursando magistério. Nesta manhã, ambas estavam a caminho da escola. Deise, do portão, gritou para Carlos, que tomava café:
- Tem carta pra você!
O menino achou estranho a correspondência ter chegado tão cedo, mas não esquentou: pegou o seu material e saiu, fechando a porta atrás de si. Deise o esperava no portão com o envelope. Na calçada, a mãe a esperava impaciente:
- Deixa isso aí e vamos!
A filha obedeceu, acenou brevemente e sumiu rua acima.

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CENA 2


Carlos apanhou então o envelope. Seu nome estava escrito com letras recortadas e coladas, provavelmente tiradas de um jornal. No remetente, não havia nada.
- Que estranho!
Intrigado, rasgou o lado do envelope e retirou dali um papel, onde se podia ler:
EIGHT DAYS A WEEK I LOVE YOU
O curioso é que a mensagem também foi construída com letras cuidadosamente
recortadas e coladas, de modo a não se dar nenhuma pista de quem a tenha mandado.
- Quem foi o palhaço que mandou isso pra mim?
Certo de que se tratava de uma brincadeira, colocou o envelope no bolso e tomou a condução.

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CENA 3


No caminho para o colégio, porém, uma pergunta foi martelando a sua cabeça: e se fosse verdade? Passara um filme no dia anterior onde uma garota mandava cartas anônimas para um rapaz, por não ter coragem de se declarar. Existiria alguém interessado em Carlos, assim como no filme?
Sem querer, sua mente se voltou para Patrícia. Ela era da sua turma e sentava lá atrás, perto da Amanda e da Raíssa. Volta e meia Patrícia o olhava, como se quisesse falar com ele. Podia ser ela, por que não?
Animado com a perspectiva, Carlos saltou do ônibus disposto a tirar a história a limpo.

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CENA 4


- Tem alguém de graça com a sua cara – falou Henrique.
Se tem ou não, descobriremos, pensou o menino. E lá foi ele atrás da autora da carta.
Patrícia estava na cantina, conversando com Amanda.
- Vamos, Carlos – falou consigo mesmo.
Era uma situação inteiramente nova. Ele nunca namorara em seus treze anos de vida e ninguém nunca lhe havia chamado a atenção. Mas como a mocinha demonstrara interesse, por que não lhe dar uma chance?
- Oi – o cumprimento saiu meio engasgado.
Patrícia não o reconheceu de imediato. Ajeitou os óculos e não escondeu a surpresa:
- Nossa! É você mesmo?
- Sim.
- O que faz aqui?
- Nada, vim só ver você.
O menino corou na hora. As palavras saíram de sua boca sem que percebesse. Tratou de se corrigir:
- Quer dizer, eu e o Henrique estamos precisando de mais uma pessoa pro trabalho... você está sem grupo?
- Pior que eu já combinei de fazer com a Raíssa e a Amanda – e olhou para a amiga, que abriu mão:
- Faz com eles. A Jenifer está sem grupo, ela vem pro nosso.
Patrícia pareceu gostar da idéia
- Está certo. Estou com vocês.
- Ótimo! Combinamos depois da aula.
E sorrindo de orelha a orelha, Carlos seguiu para a sala. Parecia estar no caminho certo.

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CENA 5


Vemos agora Carlos no portão de casa e uma garota se aproximando. Era Raíssa. Raíssa morava ali perto, algumas quadras à frente, mas os dois só se conheciam de vista. Carlos é tímido e, apesar de vê-la passar pra lá e pra cá, nunca tivera coragem de falar com ela.
- Oi, vou dar uma festa lá em casa hoje à noite – foi logo falando a garota – e gostaria que você fosse.
Surpreso, Carlos ficou quieto. Raíssa completou:
- Vai ser às oito. Espero você.
E foi embora. Nem deu margem a uma resposta negativa.

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CENA 6


À noite a festa estava rolando. Na sala, Raíssa afastou os sofás e a estante e improvisou uma pista de dança. Na falta daquelas luzes comuns em discotecas, ela pendurou pela parede pisca-piscas de natal que, embora não surtissem o efeito desejado, arrancou boas risadas.
Os convidados chegaram e tomaram conta do pequeno cômodo. No único espaço que sobrou livre – o vão da escada, Henrique assumiu o som e precisou vez após vez avisar:
- Cuidado pra não esbarrar no som!
Nem precisa dizer que não adiantou nada.
Carlos sentou-se num degrau da escada. Não se sentia à vontade observando toda aquela gente se divertindo. Na verdade, estava com raiva de si mesmo, por não saber se enturmar.
Poucas vezes Carlos conseguiu conversar com alguém, tirando Henrique, que era seu melhor amigo. Geralmente ele iniciava a conversa com um "oi", mas daí não sabia prosseguir, então a pessoa se afastava e ele se frustrava. Com isso acontecendo toda hora, o menino foi perdendo a confiança e, sem querer, se isolou.
Passou então a sentar nas primeiras cadeiras e a prestar atenção até nas aulas mais sacais. Virou o melhor aluno da turma. Com isso os outros alunos passaram a notá-lo e a se aproximar, geralmente nas épocas de prova. Mas Carlos continuava na dele. Isso o tornou antipático e lhe deu o rótulo de cdf.
- Eu não ligo – costumava dizer.
Mas ligava. Tinha noites que, ao se deitar, não agüentava e chorava. Nessas horas, gostava de dedilhar um violão velho que fora do seu pai: ia pro quintal, botava a cadeira lá e tocava umas músicas ruins à beça, mas que significava muito pra ele, por conter todos os seus sentimentos.
Atormentado por esses pensamentos, Carlos resolveu sair pra tomar um ar.

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CENA 7


Uma figura feminina o seguiu, mas hesitante, deteve-se na porta.
- Patrícia?
- Amanda – respondeu a menina, completando: - Você gosta mesmo dela.
- Dela quem? – o tom de voz de Carlos o traiu. Não sabia fingir.
Ele estava sentado no chão, encostado na parede, um pouco abaixo da janela. Amanda sentou-se ao seu lado.
- Você apareceu no momento certo, sabia?
O menino fez que não, com a cabeça.
- Patrícia sempre gostou do José, o meu irmão. Mas ele é um galinha. Fica enganando a garota: fala que gosta dela mas, pelas costas, vive dando em cima da Raíssa. Mal sabe ele que a Raíssa só tem olhos pro Henrique.
- Que modo de falar do seu irmão!
Ela não ligou:
- Bem, aí surgiu você. Desde o começo do ano que ela está querendo te conhecer, mas sabe... o seu jeito caladão inibiu a menina.
- Pode dizer a ela que eu não mordo – sorriu Carlos. Parecia que suas suspeitas tinham fundamento. Perguntou, mais por perguntar: - Onde é que eu entro nessa história?
Amanda se calou. Levantou-se e olhou pela janela as pessoas dançarem. Debruçou-se ali. Carlos postou-se ali também e Amanda virou o rosto.
- Ei, o que houve?
- Acho que eu devia ter ficado quieta.
E se afastou, deixando no ar um tom de arrependimento. Por quê? Sem entender, Carlos a procurou no meio das pessoas. Encontrou-a falando com o Henrique.
Em segundos as luzes se apagaram e os primeiros acordes de uma música romântica ressoaram pela sala.
Logo pares se formaram.
- Vai lá, Carlos – voltou Amanda – ela quer dançar com você.
E apontou Patrícia, sozinha.

Ficha técnica da microssérie


SINOPSE

Certa manhã, Carlos recebe uma carta anônima, de alguém que se diz apaixonada. Trata-se de uma brincadeira ou tem mesmo uma pessoa interessada nele? Resolvido a tirar a história a limpo, nosso amigo começa a investigar as possíveis "suspeitas" e terá que lidar com pessoas falsas, pistas erradas e com sua própria timidez, que o impede de tomar certas atitudes quando necessário. O final é surpreendente.
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PERSONAGENS

Carlos – o principal. Tímido e calado, recebe as cartas anônimas e corre atrás pra descobrir quem as está mandando.

Deise – irmã de Carlos. Não aparece muito na história, mas sempre tem bons conselhos.

Helena – amiga de Deise, está sempre por perto.

Henrique – melhor amigo de Carlos e totalmente o oposto dele. Bonito e desinibido, é louco pela Raíssa.

Patrícia – a primeira suspeita de Carlos. Está sempre com Raíssa e Amanda.

Raíssa – menina leve e descontraída, gosta de Henrique, mas não dá o braço a torcer. Vive fazendo ciúmes nele.

Amanda – garota que corre atrás do que quer, sempre toma a iniciativa.

José – irmão de Amanda, bom em todos os esportes. Disputa a Raíssa com Henrique, mas também tem um caso com Patrícia.

Jenifer – aluna da escola, quase não aparece.